sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sentido da Vida

O vazio dos dias;
A espera do tempo que segue implacável e fugaz.
As horas...
A vida como realmente é: breve.
Quantos “eus” viveram a ilusão da minha história?
Quantos de mim, redescobri nos erros, acertos e felicidades?
Como tudo é efêmero, e mesmo assim vivemos a ilusão de termos certeza de algo.
Como é inútil ter certeza, ter razão.
Fluímos pelo tempo como gases que logo se dissipam, sem história nem vaidades.
Tolos os que não conseguem sorver, mesmo que seja por frações de segundos a beleza de estar vivo.
Viver é saber realmente o que é ser feliz,
Pois todo o resto é escravidão, angustia e perda!
Não é preciso buscar sentido na vida.
É preciso dar sentido o seu ato de viver!


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

E SE NÃO DER TEMPO ?

Como desperdiçamos muito do nosso tempo com coisas que realmente não importam, com brigas, buscas, ambições e outros assuntos que se mostram tão desnecessários quando percebemos que vamos morrer. 
O texto que segue é fruto de uma conversa que tive com um amigo não muito próximo, mas que não fala com seu filho há muito tempo. Eles brigaram feio, e hoje, por mais que o pai tente, o rapaz,que se transformou em um homem, não abre mão de manter o orgulho deixando a indiferença falar mais alto, desprezando a possibilidade de reencontrar o pai. Essa situação estava deixando meu amigo à margem da própria vida, pois ficava esperando o dia do reencontro, e tendo a angustia de pensar "e se não der tempo?", com isso, além de  não viver esse reencontro, não vivia os encontros que a vida tão bondosa estava lhe ofertando todos os dias da sua breve vida.




E SE NÃO DER TEMPO?

Quanto tempo leva uma vida? Quanto tempo leva uma relação? Afinal, como saber se vamos ter tempo para vivermos tudo o que queremos; se vai dar tempo para convivermos mais com quem amamos; dirimir as desavenças e sanar as diferenças, e dizermos as palavras ensaiadas por um longo tempo, aos que esperamos um dia rever, e que nos são tão caros. Como podemos saber se vamos ter tempo para as coisas mais importantes das nossas vidas?
Muitas pessoas convivem constantemente com essa frase “e se não der tempo”, em suas vidas, e isso pode servir para tornar mais objetivas e seletas as escolhas que se faz, valorizando todas as decisões, mas por outro lado pode trazer uma angustia profunda, incurável, e verdadeiramente desnecessária, isso acontece quando não estamos no comando dos acontecimentos, e atrapalha o nosso caminhar nesse pequeno espaço de tempo que chamamos vida.
Talvez nunca tenhamos tempo de vivermos tudo o que queremos, de sorrir para quem almejamos em nossos sonhos, de andar por lugares especiais, em momentos especiais, mas isso verdadeiramente não importa. Não importa porque de nada vale nossa angustia, ela só serve para aumentar a quantidade de coisas que ficarão sem tempo de serem feitas, realizadas, compartilhadas, vividas. Quando vivemos com essa pergunta em nossas mentes, deixamos de viver todo o resto que “está dando tempo” de ser vivido.
O tempo que não se vive, esperando viver o que se espera, é devastador. Ele vira veneno, e esse veneno corrói tudo aquilo que está verdadeiramente em nossas mãos, no nosso arbítrio.
Felicidade é uma questão de opção, e devemos insistir em sempre optar pela por ela, mesmo que a dor da saudade, das magoas e das coisas negativas deixem marcas no nosso caminho, pois se pararmos para pensar com calma, perceberemos que só temos um caminho racional a seguir, o caminho da felicidade.

                                                                                           Daniel Porto


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ele, a Menina, o Sol e a Lua








Ele, a Menina, o Sol e a Lua




Ele tirou da bolsa uma caneta e um bloco de papel, e começou a escrever sentado em frente ao quebra mar. As ondas batiam nas pedras com força e costume, e o vento salgado deixava seu corpo melado, grudento. O mar entrava pelo seu nariz, ampliando sua respiração e trazendo também o som das ondas numa música cheia de bossa.
O mar é infinito (pensou ele), mas o infinito é tudo que somente não podemos medir, e pra ele o mar era de fato infinito. Registrava todas essas sensações no seu bloco de notas, e se esforçava para rimar palavras e construir sentimentos a partir daquele momento dele com o mar. O sol partia sem esperar que suas rimas nascessem e germinassem. Já no ultimo momento, antes de partir, o astro rei ainda esperou o grande momento de a poesia nascer, mas foi em vão, o bloco de notas continuava a germinar observações e não poesia.
Por fim,  quando já não tinha ele esperanças, e recolhia a caneta e o bloco na sua bolsa, chega ao seu lado uma menina que brincava com sua bicicleta no calçadão e lhe diz:
_ Você não viu como o sol ficou todo enxerido esperando a lua chegar?
Ele olhou para o outro lado e viu uma lua linda e vigorosa, com um amarelado que vinha dos raios do sol, e assim percebeu a poesia daquele momento.
Toda criança nasce poeta. Ela tem o olhar da poesia, e sabe que tudo e todos interagem numa só substância chamada vida, por isso é que o poeta busca manter um olhar lúdico sobre o mundo, e naquele momento Ele percebeu que não conseguiu escrever o poema, porque ele estava de fato vivendo uma poesia, Ele, a Menina, o Sol e a Lua.
                                                                                                                 Daniel Porto

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Poesia Infantil


                      Aparei a lua, pra caber nas bordas, das estradas tortas, do teu coração.
                  O sol lá estava com seu fio dourado e diamantes colados dentre a imensidão.
                               E montei o tecido de risos e gemidos, de momentos e instantes.
                  Pairou na atmosfera a poeira do amor, a beleza e o torpor, todos lancinantes.
                                                                                          (Daniel Porto)

Vivendo


De repente a vida simplesmente
De repente a dor
De repente o amor
A felicidade
Ah a felicidade
Esse passarinho frágil que some ao menor presságio
Canta sempre um suave adágio
Deixando um gosto de saudade na partida
De repente, simplesmente, a vida!
Tudo que se tem para viver,
Todos os motivos que se busca para morrer,
Todos os mistérios trancados numa noite sem fim...
Viver é assim,
De repente se vive
E o tempo vai levando as horas como um riacho
Deixando no fundo do seu leito o que não conseguimos deixar ir
O mesmo choro que chora, é o mesmo que faz sorrir.
 (Daniel Porto)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

RAZÃO





Não queiras a razão a todo custo
Deixe soltas as asas da loucura
Pois se tu fosses um quadro na moldura
O espelho não te daria tanto susto

Não quero ter razão e morrer infeliz
Quero pensar e sentir como um poeta
Voar com as asas da minha bicicleta
Beijar com a ponta do meu nariz

Quem vive de razão morre somente com ela
Não é capaz de perceber o que está por vir
Começa a morrer bem antes de existir
Vê a vida passar, debruçado na janela.

(Daniel Porto)

domingo, 23 de março de 2014

VIVER

Certo dia conversando com um amigo, ele me falou de um parente seu que estava completando 96 anos de idade. Eu comentei como era felizarda uma pessoa assim, com saúde e lúcida com tanto tempo de vida, e perguntei o que o aniversariante achava desta data. Para minha surpresa, meu amigo revelou que ele disse ser terrível, pois a cada dia que passava, sabia que estava perto o dia da partida, o dia em que deixaria de viver, pois muito tempo já tinha vivido, e agora velho e cansado, lhe restava apenas esperar a hora da morte, pois não esperava mais nada deste mundo.
Confesso que não tive opinião sobre o que disse o velho homem, e fiquei me indagando onde estaria à verdade disso tudo. Será que sua angústia é justa? Viver é um dissabor ao final? Ou será que aquele homem estava errado? Sempre temos a inclinação em seguir a “sabedoria” dos mais velhos, e demorei a discordar do que escutara, mas minhas convicções foram mais fortes do que a sabedoria dos 96 anos de vida daquele homem desesperado e infeliz. Sim, porque quem passa seus dias numa contagem regressiva, na verdade já morreu para os sonhos que a vida nos oferta. Deve ser um penar viver esperando a morte, sofrer a cada minuto gasto pela vida. Pobre homem!
Não sou melhor do que aquele homem velho. Tenho de vez em quando, a sensação do tempo se esvair por entre meus dias, sem que eu saboreie cada minuto de vida como deveria ser. Ou será que aquele homem estava certo mesmo? Afinal, é sempre um lamento saber que não se é eterno, que o doce da vida vai acabar um dia, e para ele, esse dia parece mais próximo devido a sua idade.
Rendo-me ao otimismo! Triste é viver para esperar a morte. Por mais que seja latente a sensação de tempo passando, devemos buscar a alegria de viver, a beleza de cada dia como se fosse o único. Aprender todo dia, ensinar sempre que possível, deixar sementes do que se crer é se perpetuar, e viver. Cada dia é um presente ofertado para nós, cabe-nos fazer o que achamos justo com ele. Podemos chorar porque ele passará depressa, ou aproveitá-lo como podemos e sabemos “sem tempo de manteiga nos dentes” como dizia Pessoa.
Hoje, mas do que o tempo passando, tenho a certeza da beleza de cada dia a mim ofertado, e sei que devo ser feliz pelo ontem, pelo hoje e pelo possível amanhã. Não devo esperar pela morte, pois ela fatalmente virá. Celebrarei a vida enquanto ela estiver em mim, sem angustia, sem tristeza, apenas buscando a sabedoria escondida em cada dia vivido, sabedoria essa, que infelizmente não chegou para aquele pobre homem que há 96 anos, vive esperando pela sua morte.


Daniel Porto

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Poema da Bênção


Poema da Bênção

Nas noites mornas, quando as sombras pairavam nos corações;
Antes, bem antes de findar as estrelas, e a esperança surgir numa nova manhã.
 Bênçãos eu te dava, em verdade e intenção.
Amém, e ali findava nosso momento comum.
Uma espécie de acalanto, um desejo de bem querer,
Era algo mágico, sem razões, sem nenhum por quê.
Mas a vida transforma tudo.
O mundo enfim é um turbilhão.
Machuca nosso coração,
E às vezes nos impede de seguir.
A distância, levemente toma conta,
Tudo vai perdendo a cor, o encanto,
Como um barco a deriva, diminuindo sempre, diante do cais.
Hoje,
Das minhas bênçãos, não precisas mais,
Pois tenho tantos defeitos, desleixos, pecados,
Sou um anjo torto, para o erro fadado,
Não posso mais te fazer sorrir.
Mesmo assim, vou dizendo em meu coração,
Secretamente no silêncio da escuridão,
A bênção de sempre, que sempre desejarei pra ti.
Deus te abençoe!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Sol Poente


Tantos versos se misturam em minha mente,
E eu vendo ao longe o sol cansado se por...
Como uma turva lembrança do outrora nascente,
Hoje jaz, exausto, de todo seu esplendor.
Assim passamos a vida,
Em seu ciclo completo de oscilações
Nascendo sempre para sermos eternos,
E morrendo diante de todas as nossas convicções!

domingo, 2 de junho de 2013

Memória




Sou como uma peneira de tranças espaçadas,
Muito se perde do que busco e cultivo.
Esqueço livros, nomes, e muito mais...
Mas sempre fica algo guardado que não sei explicar,
Sempre fica uma coisa melhor do que esqueço,
Minha memória é um traste ignorante que perde tesouros.
Mas, como só essa peneira me resta,
Continuo pescando e deixando escapar.
As lembranças, embora pequenas,
Germinam serenas
Nas minhas manhãs,

Em todo o meu despertar!

(Daniel Porto)

sábado, 25 de maio de 2013

Lua Cheia



Na noite em que me pediste a lua
Foi um dia sem desencantos e realidades.
Tolos, em pensamentos e liberdades,
Únicos, neste mundo de carne crua.

Tua alma me serviu de inspiração,
Mesmo sendo eu, uma mistura de tantos pecados,
Apenas mais um dos poetas angustiados,
Brindando a vida, neste mundo sem razão.

Nessa noite... sem amores enlouquecidos,
Fomos apenas atração das almas.
Dou-te a lua então, em tuas noites calmas,
Dai-me céu estrelado, dos nossos amores perdidos.

VAZIO EU


O dilúvio que cai sobre meus pensamentos, nesta noite vazia,
 De vazio Eu,
Sombreia o horizonte em fúnebres constatações.
Vazios e solitários,
 De vazio Eu,
 Percebe-se a imensidão de tão preenchido vazio.
Um choro perdido, um olhar sem razão.
Escavo as lembranças, rumino esperanças, imóvel, perplexo.
Todos neste momento me abandonaram,
Nada se calcifica nas minhas certezas, nada se perpetua no meu mundo efêmero.
E essa angustia tórrida que abrasa minha existência tão complexa, ridiculamente simples,
Essa busca enervante pela paz,
Os prazeres,
 Toda a calma, e o querer,
Sai de mim como uma loucura, insígnia que rege meus dias,
Uma fatal e nebulosa assiduidade dessa escuridão em mim,
Arrebata-me e arrefece meu coração.
Paradoxo constante nas agruras de um caminho aflito e feliz.
Minha loucura é o motivo da minha morte e do que me faz viver.
Meu grito e meu sorriso nascem de tudo em mim conciso,
Mas também, dos meus profundos vazios diários,
Das minhas noites vazias,
E do meu alvorecer,
De vazio Eu !

domingo, 21 de abril de 2013

Minha Criança Perdida







Das lembranças que tenho da minha infância, constato que eu era um menino levado. Sempre fui viciado em música. Cantava, dançava e brincava como todo menino da minha idade, talvez até um pouco mais. Minhas peraltices chamavam atenção, dignas que eram da correção paterna, e das medidas disciplinares do colégio. O curioso é que as professoras mantinham por mim uma dualidade de sentimentos. É, isso porque eu era ao mesmo tempo afetuoso e malcriado, gentil e atrevido. Mas não o era por mal, era apenas meu jeito mais verdadeiro de ser.

Minhas primas mais velhas tinham essa mesma dualidade sentida pelas professoras. Elas tinham raiva de mim pela minha inquietação e zombaria, mas também gostavam do primo arteiro. Mas adoravam mesmo, quando a brincadeira era “luta”, pois só assim conseguiam a vingança, me dando uma surra, sem que eu desgostasse dos safanões e caísse no choro. Enfim, sempre fui um extremista no que fazia e nos sentimentos que gerava nas outras pessoas.

Eu participava de todas as ações artísticas do colégio. Era o papai Noel do fim de ano; o carteiro na peça; o cantor na gincana; o coelho da páscoa junto com os amigos. Era notório que eu amava a criatividade da arte em todas as suas vertentes. Mas em um determinado momento, comecei a deixar de lado tudo o que me encantava e deixando a timidez produzir raízes em mim. Isso acontece com muita gente, eu sei.
Acho que comecei, a mudar depois que mudei de colégio. Os colegas novos, e o novo e estranho ambiente, (a nova percepção da vida que me cercava era outra, sem dúvidas)  só acentuaram essa mudança. Tinha eu onze anos e fui definhando vagarosamente até me tornar definitivamente “normal”. Já não continha a avidez de um peralta, nem a falta de vergonha de um bufão. Passava anônimo pelas outras crianças e depois pelos adolescentes da minha idade. Só os mais próximos podiam vislumbrar ainda, os resquícios do menino que fui, e mesmo assim, era de forma breve e tímida. O menino que dançava junto com a banda de pífanos que fazia apresentação no colégio; que imitava o Sidney Magal no teatro; que dançava forró com uma linda parceira num programa de televisão local, dentre outras coisas. Aquele menino morreu para sempre em mim quando fiz onze anos. A timidez foi matando tudo que fui, e me tornando uma pessoa menos interessante, mais “comum”. Uma pessoa normal.

Sei que muitos pensam: Mas não é bom ser normal? Explico: No meu ponto de vista, o normal deveria ser o singular, o diferente, isso porque somos todos diferentes, mas vivemos seguindo padrões de felicidade impostos pela nossa sociedade, tão pouco sábia, talvez muito menos do que nosso “eu” interior. Somos criados para seguirmos padrões, e, esses padrões, muitas vezes matam o que existe de mais verdadeiro em nós. Todos  temos um caminho traçado pelo nosso ímpeto mais primário, é ele que define nossos anseios, antes mesmo do nascimento dos sonhos. Esse impulso é quase orgânico, (se não o for) e por ser tão cru, na maioria das vezes o perdemos em algum lugar da nossa transformação, de criança para adolescente, de adolescente para adulto. Quando identificamos um adulto plenamente feliz em sua vida, com certeza ele segue sua vocação primeira, seu próprio impulso inicial, aquele que vem na sua alma. Não estou falando de profissão, estou falando de conduta na vida por completo. Acho que as pessoas vivem infelizes ou não tão felizes, porque são escravas de uma vida imposta pela maquina social, que devora homens e mulheres e  apaga uma por uma, a luz criada por DEUS, em cada um de nós, luz essa que define a nossa mais profunda e verdadeira convicção de felicidade.

Hoje sei identificar o período que deixei morrer em mim a criança que me fazia feliz, e luto todo dia para ressuscitá-la. Ela se mostra tímida e acuada, pois muito tempo se passou, e ao contrário do que eu pensava, ela não morreu para sempre, pois como diz o poeta "o pra sempre sempre acaba", mas está tão distante de mim, que todo dia tento dar um ou dois passos ao seu encontro, pois sei que minha felicidade está com ela, minha felicidade está em me tornar a criança que um dia fui. Hoje pelo menos sei onde ela está, e vou aonde eu deva ir nessa busca, nem que dure o resto dos meus dias, pois todos nós buscamos a felicidade, enfim.

Daniel Porto

quinta-feira, 21 de março de 2013

PAIXÃO


Eu estou entre as dúvidas que rodeiam sua mente,

Entre as verdades que a vida te traz.

No meio dos caminhos a seguir, ali estou eu.

Sou como a tempestade que chega sem avisar,

A insegurança te dizendo que nunca será totalmente plena,

Sou a turva noite enluarada, te fazendo mal dizer o sol.

Estou nas sombras das sólidas realidades,

Nos movimentos involuntários, que teu corpo por ventura faz,

Sou responsável pela salivação excessiva,

Pela gagueira repentina,

Pelos suores incompreendidos,

O pensamento teimando em dizer não,

E teu corpo rendido a esperar pela vida,

Sou eu sim,

A Paixão!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

AMORES IMPOSSÍVEIS


AMORES IMPOSSÍVEIS

Não somos possíveis, nesta hora,
Nosso ponto de partida se perdeu, lá atrás
Nossas vidas, bem vividas e outras mais,
A depender da nossa presença, agora.

Como um imã forte, nós somos atração!
Atraídos pela vida em seu encanto,
Cercados, acuados em nosso canto,
Apenas ouvindo ao longe a nossa canção.

Talvez não valha, para sermos verdade,
Pois um amor impossível, sempre será eterno,
Nunca chegará às portas do inferno,
Nunca matará assim a nossa vontade.

E de todo esse tempo que a vida me trará,
De todas as histórias que eu ainda vou viver,
De todas, a mais linda será você,
Nós dois velhinhos, sentados em frente ao mar.

Daniel Porto

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Trovas da poetisa Maria Mendes

Lembro de minha Avó Maria, sentada na sua cadeira de balanço, sempre fazendo palavras cruzadas, ou então rabiscando coisas em um caderno. Poetisa silenciosa, chegou a publicar um livro de seus versos, livro esse, que oportunamente irei resgatá-lo.
 Ontem, minha mãe me apresentou alguns de seus escritos  que ficaram perdidos no meio de seus papéis, e tal foi minha surpresa ao me deparar com sentimentos não da minha vozinha, mas de uma mulher maravilhosa, que trazia dentro da sua fisionomia frágil, e semblante de "Avó", uma vida de amor, desilusão, alegria, tristeza e "saudade" coisas que todos nós vivenciamos.

                             De onde vem tanta ventura

Depois de morta a amizade,

Vem de um misto de ternura

De paixão e de saudade.


Eu vivo aos poucos morrendo

Desta saudade sem fim,

Saudade de quem vivendo,

Não vive mais para mim.


Não sabem que encaro a vida

Com sorriso contrafeito,

Porque a saudade é ferida

Sempre aberta no meu peito.


Nós somos do altar sem cruz

De nossa infelicidade,

Dos candelabros sem luz

Da escuridão da saudade.


                                                              MARIA MENDES

domingo, 25 de novembro de 2012

UMA HISTÓRIA DE AMOR



UMA HISTÓRIA DE AMOR

Andando pelos dias, em busca das horas eternas,
Veio teu corpo em minha mente, vieram os teus seios, as tuas pernas,
Lembrei dos teus olhos ávidos, em um frenesi de fervor,
Nossos corpos entrelaçados, suados, fazendo amor,
Busquei toda a magia, que se tem no calor de uma história,
E me veio teu sorriso lindo, titilando na memória.
Arrebatados como loucos, prisioneiros do nosso tempo,
Amaremos-nos por toda a vida,
Na eternidade deste momento!

domingo, 18 de novembro de 2012

CASA VELHA DO SERTÃO


CASA VELHA DO SERTÃO

Todos passam pelo grande corredor da casa velha do sertão,
Crianças correndo, visitas, panelas, assados,
Gente desconhecida; até as vitalinas e seus bordados
Se permitem transitar da cozinha até o portão.

A casa antiga caiada de branco e caibros de carnaúba,
Traz a marca das almas que ali viveram,
Muitas vidas que amaram, sorriram e padeceram,
Deixando a história na casa, a casa como moldura.

As paredes grossas sempre dividindo os ambientes,
Tendo o grande corredor como ligação,
Parece até pulsar nela um coração,
Talvez ainda vívido nas lâmpadas incandescentes.

Casa velha do sertão,
Marcada de vida e história,
Veio tua imagem em minha memória,
Veio tua existência em meu coração.

(Daniel Porto)
                                                            
                                             Texto inspirado por esta foto tirada pelo amigo Alexandre Drayton.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VERO AMOR

Poesia de autoria do meu querido pai Conrado Porto:




VERO AMOR

Vou declarar
Que te amo, amo, tanto e tanto,
Que até me espanto
Com este modo de amar.
Tua voz pra mim é um acalanto,
Terno poema, cantiga de ninar.
Se estás longe de mim, pra lá do monte,
Eu ultrapasso a linha do horizonte,
Para contigo estar.
Posso até dizer assim:
Se me faltares,
Tristes serão os meus cantares,
Pois sei que está faltando algo em mim.
Nossos caminhos jamais serão duas retas,
Se me completas,
Será um só caminho.
Nossas casas jamais serão dois lares,
Se me amares...
Será somente um ninho.

(Conrado Felix Porto)

sábado, 10 de novembro de 2012

O ENCONTRO



O ENCONTRO
Logo na entrada, teu olhar sorriu pra mim
Tua alma era branda como um perfume suave,
Tu esperavas a felicidade, e eu, a tua procura,
Pois vivi tempos de angustia,
Solitário na multidão,
Mas teu olhar chegou falante
Como se discursasse eloquente
E de ti nunca mais sai
Nem você da minha mente