quinta-feira, 21 de março de 2013

PAIXÃO


Eu estou entre as dúvidas que rodeiam sua mente,

Entre as verdades que a vida te traz.

No meio dos caminhos a seguir, ali estou eu.

Sou como a tempestade que chega sem avisar,

A insegurança te dizendo que nunca será totalmente plena,

Sou a turva noite enluarada, te fazendo mal dizer o sol.

Estou nas sombras das sólidas realidades,

Nos movimentos involuntários, que teu corpo por ventura faz,

Sou responsável pela salivação excessiva,

Pela gagueira repentina,

Pelos suores incompreendidos,

O pensamento teimando em dizer não,

E teu corpo rendido a esperar pela vida,

Sou eu sim,

A Paixão!


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

AMORES IMPOSSÍVEIS


AMORES IMPOSSÍVEIS

Não somos possíveis, nesta hora,
Nosso ponto de partida se perdeu, lá atrás
Nossas vidas, bem vividas e outras mais,
A depender da nossa presença, agora.

Como um imã forte, nós somos atração!
Atraídos pela vida em seu encanto,
Cercados, acuados em nosso canto,
Apenas ouvindo ao longe a nossa canção.

Talvez não valha, para sermos verdade,
Pois um amor impossível, sempre será eterno,
Nunca chegará às portas do inferno,
Nunca matará assim a nossa vontade.

E de todo esse tempo que a vida me trará,
De todas as histórias que eu ainda vou viver,
De todas, a mais linda será você,
Nós dois velhinhos, sentados em frente ao mar.

Daniel Porto

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Trovas da poetisa Maria Mendes

Lembro de minha Avó Maria, sentada na sua cadeira de balanço, sempre fazendo palavras cruzadas, ou então rabiscando coisas em um caderno. Poetisa silenciosa, chegou a publicar um livro de seus versos, livro esse, que oportunamente irei resgatá-lo.
 Ontem, minha mãe me apresentou alguns de seus escritos  que ficaram perdidos no meio de seus papéis, e tal foi minha surpresa ao me deparar com sentimentos não da minha vozinha, mas de uma mulher maravilhosa, que trazia dentro da sua fisionomia frágil, e semblante de "Avó", uma vida de amor, desilusão, alegria, tristeza e "saudade" coisas que todos nós vivenciamos.

                             De onde vem tanta ventura

Depois de morta a amizade,

Vem de um misto de ternura

De paixão e de saudade.


Eu vivo aos poucos morrendo

Desta saudade sem fim,

Saudade de quem vivendo,

Não vive mais para mim.


Não sabem que encaro a vida

Com sorriso contrafeito,

Porque a saudade é ferida

Sempre aberta no meu peito.


Nós somos do altar sem cruz

De nossa infelicidade,

Dos candelabros sem luz

Da escuridão da saudade.


                                                              MARIA MENDES

domingo, 25 de novembro de 2012

UMA HISTÓRIA DE AMOR



UMA HISTÓRIA DE AMOR

Andando pelos dias, em busca das horas eternas,
Veio teu corpo em minha mente, vieram os teus seios, as tuas pernas,
Lembrei dos teus olhos ávidos, em um frenesi de fervor,
Nossos corpos entrelaçados, suados, fazendo amor,
Busquei toda a magia, que se tem no calor de uma história,
E me veio teu sorriso lindo, titilando na memória.
Arrebatados como loucos, prisioneiros do nosso tempo,
Amaremos-nos por toda a vida,
Na eternidade deste momento!

domingo, 18 de novembro de 2012

CASA VELHA DO SERTÃO


CASA VELHA DO SERTÃO

Todos passam pelo grande corredor da casa velha do sertão,
Crianças correndo, visitas, panelas, assados,
Gente desconhecida; até as vitalinas e seus bordados
Se permitem transitar da cozinha até o portão.

A casa antiga caiada de branco e caibros de carnaúba,
Traz a marca das almas que ali viveram,
Muitas vidas que amaram, sorriram e padeceram,
Deixando a história na casa, a casa como moldura.

As paredes grossas sempre dividindo os ambientes,
Tendo o grande corredor como ligação,
Parece até pulsar nela um coração,
Talvez ainda vívido nas lâmpadas incandescentes.

Casa velha do sertão,
Marcada de vida e história,
Veio tua imagem em minha memória,
Veio tua existência em meu coração.

(Daniel Porto)
                                                            
                                             Texto inspirado por esta foto tirada pelo amigo Alexandre Drayton.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VERO AMOR

Poesia de autoria do meu querido pai Conrado Porto:




VERO AMOR

Vou declarar
Que te amo, amo, tanto e tanto,
Que até me espanto
Com este modo de amar.
Tua voz pra mim é um acalanto,
Terno poema, cantiga de ninar.
Se estás longe de mim, pra lá do monte,
Eu ultrapasso a linha do horizonte,
Para contigo estar.
Posso até dizer assim:
Se me faltares,
Tristes serão os meus cantares,
Pois sei que está faltando algo em mim.
Nossos caminhos jamais serão duas retas,
Se me completas,
Será um só caminho.
Nossas casas jamais serão dois lares,
Se me amares...
Será somente um ninho.

(Conrado Felix Porto)

sábado, 10 de novembro de 2012

O ENCONTRO



O ENCONTRO
Logo na entrada, teu olhar sorriu pra mim
Tua alma era branda como um perfume suave,
Tu esperavas a felicidade, e eu, a tua procura,
Pois vivi tempos de angustia,
Solitário na multidão,
Mas teu olhar chegou falante
Como se discursasse eloquente
E de ti nunca mais sai
Nem você da minha mente

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ETERNIDADE


Não precisava de mais nada naquele momento
Bastava o teu sorriso, o por do sol e as ondas do mar
Bastava somente uma fração daquele mágico segundo
Para se fazer necessária toda uma existência valer a pena
Para que pudesse eternizar o que costumam chamar de felicidade
Uma sutil fumaça, que tentei segurar em minhas mãos.

Daniel Porto

O AQUÁRIO

A água do aquário está turva
O peixe cansado vai morrer, agora.
Girando, rodopiando, uma dança curva
A dança da morte ao romper da aurora.

Nadou o mundo inteiro na tigela pequena,
Todos os mares, oceanos, até chegar ao final,
Sem propósito algum venceu seu dilema,
Zombando da morte com sua dança fatal.

O peixe se vai, cumprindo o destino,
E dele no aquário, nada restará que veio,
Solitário da vida como um louco, um sem tino,
Não deixando marcas, vivendo a passeio.

Na água turva o peixe se foi como veio
Na vida breve se vai à esperança bendita,
Nadando mares, oceanos; sem vida, sem freio,
Morrendo sozinho nesta calma, aflita.

                 

                                                                                    Daniel Porto









quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SILÊNCIO



De tudo da vida o que mais me impacienta é o silêncio.
Não o silêncio do “som”,
Mas sim o silêncio da alma.
Quando estamos estáticos na vida,
Estamos sem viver.
Chorando, sorrindo, sofrendo, amando,
É preciso do barulho da vida para se existir.
Efervescente, o ato de viver é o necessário,
Sim, devemos ter medo do que está parado,
Do que está em silêncio!
Imagino o velho sentado à beira da calçada,
Vendo as pessoas passarem,
Vendo ...
Apenas vendo!