quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Trovas da poetisa Maria Mendes

Lembro de minha Avó Maria, sentada na sua cadeira de balanço, sempre fazendo palavras cruzadas, ou então rabiscando coisas em um caderno. Poetisa silenciosa, chegou a publicar um livro de seus versos, livro esse, que oportunamente irei resgatá-lo.
 Ontem, minha mãe me apresentou alguns de seus escritos  que ficaram perdidos no meio de seus papéis, e tal foi minha surpresa ao me deparar com sentimentos não da minha vozinha, mas de uma mulher maravilhosa, que trazia dentro da sua fisionomia frágil, e semblante de "Avó", uma vida de amor, desilusão, alegria, tristeza e "saudade" coisas que todos nós vivenciamos.

                             De onde vem tanta ventura

Depois de morta a amizade,

Vem de um misto de ternura

De paixão e de saudade.


Eu vivo aos poucos morrendo

Desta saudade sem fim,

Saudade de quem vivendo,

Não vive mais para mim.


Não sabem que encaro a vida

Com sorriso contrafeito,

Porque a saudade é ferida

Sempre aberta no meu peito.


Nós somos do altar sem cruz

De nossa infelicidade,

Dos candelabros sem luz

Da escuridão da saudade.


                                                              MARIA MENDES

domingo, 25 de novembro de 2012

UMA HISTÓRIA DE AMOR



UMA HISTÓRIA DE AMOR

Andando pelos dias, em busca das horas eternas,
Veio teu corpo em minha mente, vieram os teus seios, as tuas pernas,
Lembrei dos teus olhos ávidos, em um frenesi de fervor,
Nossos corpos entrelaçados, suados, fazendo amor,
Busquei toda a magia, que se tem no calor de uma história,
E me veio teu sorriso lindo, titilando na memória.
Arrebatados como loucos, prisioneiros do nosso tempo,
Amaremos-nos por toda a vida,
Na eternidade deste momento!

domingo, 18 de novembro de 2012

CASA VELHA DO SERTÃO


CASA VELHA DO SERTÃO

Todos passam pelo grande corredor da casa velha do sertão,
Crianças correndo, visitas, panelas, assados,
Gente desconhecida; até as vitalinas e seus bordados
Se permitem transitar da cozinha até o portão.

A casa antiga caiada de branco e caibros de carnaúba,
Traz a marca das almas que ali viveram,
Muitas vidas que amaram, sorriram e padeceram,
Deixando a história na casa, a casa como moldura.

As paredes grossas sempre dividindo os ambientes,
Tendo o grande corredor como ligação,
Parece até pulsar nela um coração,
Talvez ainda vívido nas lâmpadas incandescentes.

Casa velha do sertão,
Marcada de vida e história,
Veio tua imagem em minha memória,
Veio tua existência em meu coração.

(Daniel Porto)
                                                            
                                             Texto inspirado por esta foto tirada pelo amigo Alexandre Drayton.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VERO AMOR

Poesia de autoria do meu querido pai Conrado Porto:




VERO AMOR

Vou declarar
Que te amo, amo, tanto e tanto,
Que até me espanto
Com este modo de amar.
Tua voz pra mim é um acalanto,
Terno poema, cantiga de ninar.
Se estás longe de mim, pra lá do monte,
Eu ultrapasso a linha do horizonte,
Para contigo estar.
Posso até dizer assim:
Se me faltares,
Tristes serão os meus cantares,
Pois sei que está faltando algo em mim.
Nossos caminhos jamais serão duas retas,
Se me completas,
Será um só caminho.
Nossas casas jamais serão dois lares,
Se me amares...
Será somente um ninho.

(Conrado Felix Porto)

sábado, 10 de novembro de 2012

O ENCONTRO



O ENCONTRO
Logo na entrada, teu olhar sorriu pra mim
Tua alma era branda como um perfume suave,
Tu esperavas a felicidade, e eu, a tua procura,
Pois vivi tempos de angustia,
Solitário na multidão,
Mas teu olhar chegou falante
Como se discursasse eloquente
E de ti nunca mais sai
Nem você da minha mente

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

ETERNIDADE


Não precisava de mais nada naquele momento
Bastava o teu sorriso, o por do sol e as ondas do mar
Bastava somente uma fração daquele mágico segundo
Para se fazer necessária toda uma existência valer a pena
Para que pudesse eternizar o que costumam chamar de felicidade
Uma sutil fumaça, que tentei segurar em minhas mãos.

Daniel Porto

O AQUÁRIO

A água do aquário está turva
O peixe cansado vai morrer, agora.
Girando, rodopiando, uma dança curva
A dança da morte ao romper da aurora.

Nadou o mundo inteiro na tigela pequena,
Todos os mares, oceanos, até chegar ao final,
Sem propósito algum venceu seu dilema,
Zombando da morte com sua dança fatal.

O peixe se vai, cumprindo o destino,
E dele no aquário, nada restará que veio,
Solitário da vida como um louco, um sem tino,
Não deixando marcas, vivendo a passeio.

Na água turva o peixe se foi como veio
Na vida breve se vai à esperança bendita,
Nadando mares, oceanos; sem vida, sem freio,
Morrendo sozinho nesta calma, aflita.

                 

                                                                                    Daniel Porto









quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SILÊNCIO



De tudo da vida o que mais me impacienta é o silêncio.
Não o silêncio do “som”,
Mas sim o silêncio da alma.
Quando estamos estáticos na vida,
Estamos sem viver.
Chorando, sorrindo, sofrendo, amando,
É preciso do barulho da vida para se existir.
Efervescente, o ato de viver é o necessário,
Sim, devemos ter medo do que está parado,
Do que está em silêncio!
Imagino o velho sentado à beira da calçada,
Vendo as pessoas passarem,
Vendo ...
Apenas vendo!

sábado, 13 de outubro de 2012

INTROSPECÇÃO


Solitário e sutil vou passando pela vida,
Do mundo faço meu verso, sem entrada ou saída,
Dos encantos de outros tantos, levo exemplos e inspiração,
Situações de uma vida louca, nos versos da minha canção.
Cai na tarde linda, o sol na rua, refletindo a beleza do que é viver,
Mas de mim só sabe a lua e as noites do meu ser.

Vou amando de momentos, e cicatrizando feridas,
São saudades e lembranças, de chegadas e partidas,
Dores da vida, que corroem o coração,
Que se dói inevitável, sem motivo ou reflexão,
São dissabores eternos, angustias do viver,
Mas de mim só sabe a lua e as noites do meu ser.

O sorriso daquela mulher dá outro sentido à vida,
Das buscas e expectativas de uma alma já perdida,
Um mundo que extasia diante da emoção,
Ressoa seu sorriso, como uma musica sem refrão,
Vou seguindo em minhas certezas, mesmo vivendo sem saber,
Pois de mim só sabe a lua, e as noites do meu ser.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AUTO ANÁLISE


Às vezes é preciso ficar só,
Às vezes é preciso o silêncio !
A única razão deste momento,
É você, com você, e nada mais.
É olhar para espelho e só ele dizer...
Quem é esse que me olha?
Se é o que se mostra para o mundo,
Ou se é tudo ficção.
Difícil amigo,
A gente se enxergar como se é,
Pois nem sempre se é o que se quer,
Nem sempre somos mocinho ou vilão.
De todas as verdades do mundo,
Uma delas pode ser,
 Que viver,
 É fruto da nossa imaginação!


Daniel Porto